A Ponta do Iceberg: Quando o Pequeno Delito Sinaliza a Grande Ameaça
Um simples patrulhamento em uma rodovia de Mato Grosso, a MT-242, culminou em uma abordagem que, à primeira vista, pode parecer trivial para alguns, mas que revela muito sobre os desafios que a sociedade enfrenta. Policiais militares, em uma ação rotineira, pararam um veículo e se depararam com um motorista sob aparente efeito de substâncias psicoativas. O forte odor característico de maconha e a confissão do indivíduo, que portava porções do entorpecente, levaram à sua autuação. O detalhe crucial, no entanto, surge ao final do relato: o suspeito já possui passagem por furto. Este fato transforma um incidente de posse de drogas em um claro exemplo da teoria de que a desordem, quando não contida, gera mais desordem. A tolerância com os chamados “pequenos delitos” serve como um convite para infrações mais graves, erodindo a segurança e a confiança que são pilares de uma comunidade próspera. A ação policial, neste contexto, não foi um ato de repressão a uma escolha pessoal, mas uma intervenção necessária para a manutenção da ordem pública e a proteção do direito de propriedade e da segurança dos cidadãos de bem, que são as verdadeiras vítimas quando a lei é ignorada.
O Custo Oculto da Tolerância
Cada vez que um ato como este ocorre, a sociedade paga um preço que vai muito além da apreensão de algumas gramas de entorpecente. Do ponto de vista prático e econômico, recursos valiosos são desviados. O tempo dos policiais, que poderia ser empregado na prevenção de crimes mais graves; os recursos do sistema judiciário, que serão gastos para processar o caso; e, principalmente, o custo da insegurança que se impõe à população. Quando um indivíduo com histórico de furto é encontrado infringindo a lei novamente, desta vez ao volante e possivelmente sob efeito de drogas, ele representa um risco direto e iminente à vida e ao patrimônio de terceiros. A leniência com tais comportamentos gera um ciclo vicioso: o infrator se sente encorajado a continuar em sua trajetória delituosa, e o cidadão cumpridor da lei se sente cada vez mais desprotegido e sobrecarregado, financiando um sistema que parece incapaz de garantir sua função mais básica: a segurança.
A Narrativa da Vítima e a Erosão da Responsabilidade Individual
É comum, em certos círculos de debate, que a figura do infrator seja retratada como uma “vítima do sistema” ou de circunstâncias sociais adversas. Essa narrativa, embora possa parecer compassiva, é profundamente corrosiva para o tecido social, pois ela nega o pilar fundamental da civilização ocidental: a responsabilidade individual. O suspeito, U.A.S., de 39 anos, é um adulto plenamente capaz de fazer suas próprias escolhas e de arcar com as consequências delas. Atribuir sua conduta a fatores externos é infantilizá-lo e, ao mesmo tempo, isentá-lo de suas obrigações morais para com a comunidade. A lei, em uma sociedade livre, não existe para oprimir, mas para estabelecer um conjunto de regras claras e universais que garantam a coexistência pacífica e a proteção dos direitos naturais de todos. Ignorar a lei em nome de uma suposta “liberdade” individual é, na verdade, defender a libertinagem, que invariavelmente resulta na violação da liberdade alheia. O direito de um indivíduo termina exatamente onde começa o direito do próximo a viver em paz e segurança, um princípio que parece esquecido por aqueles que promovem a tolerância irrestrita com comportamentos antissociais.
Liberdade vs. Libertinagem: Onde Traçar a Linha?
O conceito de liberdade é frequentemente distorcido para justificar qualquer tipo de comportamento. No entanto, a verdadeira liberdade, aquela defendida pelos pensadores que fundaram as bases do nosso mundo próspero, está intrinsecamente ligada à responsabilidade. A liberdade de dirigir um carro não inclui o direito de fazê-lo sob o efeito de substâncias que comprometem o raciocínio e os reflexos, colocando em risco a vida de inocentes. A liberdade de buscar a própria felicidade não autoriza ninguém a subtrair o patrimônio de outrem, como um histórico de furto sugere. O Estado, em sua função mínima e essencial, deve atuar precisamente como o guardião dessa fronteira. Sua função não é ditar a moralidade pessoal de cada um, mas garantir que as ações de um indivíduo não causem dano direto ou imponham riscos injustos aos demais. A abordagem policial em Nova Ubiratã foi exatamente isso: a aplicação de uma lei universal que protege a coletividade da conduta irresponsável de um indivíduo.
A Resposta Necessária: O Papel Essencial da Ordem e da Lei
O trabalho realizado pelos policiais militares na MT-242 deve ser visto como um microcosmo da batalha diária pela manutenção da civilidade. Em um cenário onde narrativas progressistas buscam enfraquecer as instituições de segurança e relativizar a criminalidade, a ação firme e legalista das forças de ordem é o que impede que a sociedade mergulhe no caos. A presença policial e a aplicação consistente da lei são os mais eficazes dissuasores da criminalidade. Elas enviam uma mensagem clara de que as ações têm consequências e de que a comunidade não irá tolerar a desordem. Em vez de buscar soluções utópicas e programas sociais dispendiosos que frequentemente falham em atacar a raiz do problema – a escolha individual pelo crime –, a sociedade deve valorizar e fortalecer os mecanismos que comprovadamente funcionam: policiamento ostensivo, investigação eficaz e um sistema de justiça que puna os culpados, protegendo assim os inocentes. Um ambiente seguro é a condição prévia para que o livre mercado, a iniciativa privada e as famílias possam florescer. Sem ordem, não há progresso; há apenas a lei do mais forte, que é a negação de todos os direitos e liberdades.
Em conclusão, o incidente em Nova Ubiratã não é apenas uma pequena nota policial. É um lembrete contundente de que a segurança de uma nação é construída no dia a dia, em cada abordagem, em cada aplicação da lei e em cada vez que se reafirma o princípio da responsabilidade individual. Ignorar os pequenos sinais de desordem, como o odor de maconha vindo de um carro dirigido por alguém com histórico criminal, é permitir que as rachaduras na fundação da sociedade se aprofundem. A firmeza na defesa da lei e da ordem não é uma opção, mas uma necessidade imperativa para a sobrevivência de uma sociedade livre e justa.


